A mulher no esporte


Certamente não há lugar mais adequado que a coluna Olhar Feminino, para dar ênfase a um assunto tão importante e que gera polêmica a anos.

Era quase impossível ver mulheres no esporte até o início dos anos 70. A coisa mudou. Não que hoje as redações esportivas tenham o mesmo número de mulheres com relação ao contigente masculino. Mas é possível até que o índice feminino na redação reflita o interesse da população. Se em estádio de futebol, autódromo ou ginásio há mais homens do que mulheres, é normal que haja também índice diferente de homens do que mulheres nas redações.
Normal não é que haja preconceito. Homens e mulheres devem ter os mesmos direitos. Têm. Os mesmos níveis salariais, o que incrivelmente se verifica nas redações, ao contrário das demais profissões. Devem ter as mesmas oportunidades. O que não se pratica em boa parte das editoras do país. Menos ainda nas de esportes.
Não que não haja oportunidades. O caderno de esportes do Estado de S. Paulo já teve mulher no comando. Isabel Tenese permaneceu quase três anos no cargo, entre o afastamento de Roberto Benevides, pouco antes da Copa do Mundo de 1998, e seu próprio pedido de demissão em março de 2001. Kitty Balieiro é chefe de redação da ESPN Brasil, um dos canais de TV do país especializados em esporte.
Mas é sempre visto como algo curioso uma mulher que parece entender de esportes. Como a comentarista Sônia Francine, a Soninha, também da ESPN Brasil. Ela não chega a ser expert no assunto. Mas certamente entende mais do riscado do que boa parte dos homens que pretendem ser especialistas pelo país a fora. Há colunistas, comentaristas, repórteres, jornalistas de todas as áreas que se arvoram o direito de falar sobretudo de futebol, apenas pelo fato de terem um dia se sentado em arquibancada. Minha mãe também se sentou.
Pode-se dizer que as redações de esporte do país têm 10% de mulheres. Isso já provocou mais preconceitos no passado do que hoje em dia. Nos velhos tempos, o veteramo repórter Oldemário Touguinho, do Jornal do Brasil, telefonava para a redação durante as grandes coberturas e procurava o editor. Quando este indica uma mulher para recolher o material que vez ou outra tinha de ser passado por telefone, Oldemário simplesmente se recusava a entregar seus relatos.
Esse tempo passou. O fato, no entando, é que as mulheres na maior parte são encaminhadas para as editoras de esporte amadores. É mais fácil demonstrar conhecimento sobre vôlei, basquete e tênis do que sobre futebol e automobilismo. Territórios onde o machismo ainda impera. Mas também onde menos mulheres do que homens demonstramm conhecimento.
No passado, especialmente entre repórteres, houve grandes profissionais mulheres. O melhor exemplo talvez tenha sido Regiane Ritter, que trabalhou na cobertura de três Copas do Mundo. Era bem-informada e entendia do assunto. Tanto que suas claras demonstrações de conhecimento causam até hoje lembranças carinhosas em homens apaixonados por futebol. Quando ela começou , certamente havia muito mais preconceito do que hoje, tempo em que o espaço existe para ser conquistado.

Texto retirado do Livro:
Jornalismo Esportivo de Paulo Vinicius Coelho

Tatiane Araújo

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