Em entrevista exclusiva ao LNET!, goleiro fala da expectativa pelo torneio no ano do centenário
Goleiro admite ansiedade por começar a Libertadores (Crédito: Reginaldo Castro)
Felipe viveu seu pior momento no Corinthians após a perda do título da Copa do Brasil, em 2008. Crucificado por não ter segurado o chute de Luciano Henrique, desviado em Enílton, na derrota para o Sport, foi afastado dias depois por três jogos e cogitou a deixar o clube.
Mas o goleiro, antes polêmico nas declarações, mudou a postura. Começou a trabalhar mais e a falar menos. Ajudou a devolver o Timão à elite e foi decisivo em 2009 nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil – esta que serviu para lavar sua alma.
Hoje, Felipe é absoluto, tanto que o Timão contratou jogadores para todas as posições, exceto a sua. O camisa 1 será o goleiro do centenário, algo que era questionado no passado, como uma nova obsessão: a Copa Libertadores.
Em entrevista exclusiva ao LANCENET! , ele comentou as expectativas para conquistar o maior título no ano mais importante da História do clube no centenário:
LANCENET!: O Corinthians contratou jogadores para todas as posições do elenco, menos goleiro. Como você encara essa tranquilidade, essa confiança em você para o centenário?
Felipe: Acho que é fruto do trabalho. Corinthians é sempre pressão, tem de matar um leão a cada dia. É a quarta temporada que inicio, fazia tempo que um goleiro não ficava tanto tempo no clube. Fico feliz por isso, tenho de continuar trabalhando porque se em um jogo não vou bem, já vão esquecer o que fiz, vão falar que não presto, que o clube precisa de outro goleiro.
Esse é o ano mais importante da História do clube, centenário, temos jogadores de nível mundial. Sempre tem a galera do contra, mas vou tentar acabar com isso da melhor maneira.
LNET! Como é olhar para um time com Roberto Carlos, Danilo, Iarley, Elias, Ronaldo. Dá a segurança para você acreditar nesse título da Libertadores?
F: Acho que é um orgulho estar atuando por esse clube. Hoje olho para frente e fico emocionado por jogar ao lado de jogadores como Roberto Carlos, Ronaldo, Chicão, William, Tcheco, Danilo que ganhou dez títulos nos últimos dez anos... São jogadores acima da média e fico feliz por estar atuando ao lado deles.
LNET! Qual o risco de se montar uma equipe com tantos jogadores badalados?
F: Acho que badalado o Corinthians sempre vai ser, ainda mais com as contratações de peso que fez. Não podemos nos contentar, a gente sabe que é até díficil puxar de atletas que ganharam tudo. Mas diariamente a gente vê que eles estão querendo, incorporando a alma corintiana. Temos de esquecer os comentarios extra-campo e fazer a nossa parte. Foi assim que
ganhamos o Paulista, a Copa do Brasil e por relaxo nosso, se a gente tivesse acreditado mais, poderíamos ter conquistado o Brasileiro.
LNET!: Ano passado foi o seu melhor ano da carreira?
F: Em 2007 não adiantou nada eu ir bem, porque o objetivo era não cair e a gente caiu. Não adianta ser um herói morto. Mesmo caindo, eu tive reconhecimento dos torcedores e da diretoria. Em 2009 foi melhor porque além de jogar bem, eu conquistei títulos. O jogador entra para a História do clube se ganha título. O mais importante para mim foi tirar o peso da
Copa do Brasil de 2008, na semifinal fui um dos heróis, e na final um dos poucos culpados, pela mídia e a torcida. O ano passado foi maravilhoso tanto dentro como fora de campo, e consegui apagar aquela imagem da final da Copa do Brasil.
LNET!: Essa perda ficou engasgado por causa da perda do título ou pelo afastamento após a final?
F: O motivo do afastamento pelo comissão, a gente tem de aceitar. Fiquei chateado com o nome pixado no muro. Já vi o São Paulo e o Palmeiras perderem e no dia seguinte não estava o nome do goleiro no muro. Na semifinal você é o heroi e quando você falha, num lance complicado, é vilão. Quando se perde você tem de culpar alguém. Passei três jogos afastado, um mês treinando à parte, pensei em sair do clube. Aquele momento não tinha mais espaço para mim por tudo o que tinha acontecido.
Minha meta depois que voltei, então, era a Copa do Brasil. Se eu pudesse ter ficado fora de todos os jogos do Paulista só para Copa do Brasil eu teria feito. Mas correu tudo bem, ganhamos a Série B, o Paulista da forma invicta e tive uma participação decisiva no título da Copa do Brasil.
LNET!: Hoje há uma coisa que tire o seu sono?
F: Penso muito na Libertadores, todo atleta que está aqui agora quer, ainda mais no ano do centenário. Quando estou deitado eu penso como vai ser, a recepção da galera. Primeiro tem o Paulista, mas o grande objetivo do ano é a Libertadores e não paro de pensar. Espero que possa ajudar o Corinthians.
LNET!: Você teme uma revolta ou pressão, em caso de perda da Libertadores, parecida com a que viveu em 2007?
F: Não podemos pensar que vamos perder porque isso atrai coisas negativas. A gente está pensando em fazer um bom campeonato e, se tudo correr bem, a gente vai conseguir. Sei da pressão, como foi a pressão em 2007, vi pela TV como foi a eliminação em 2006. É a obsessão que a nação corintiana tem. Até brinquei com um amigo meu, quando perdemos a Copa do Brasil, que a
gente ganharia no outro ano e depois a Libertadores em 2010. Só falta a Libertadores, né (risos).
LNET!: Quem são os maiores rivais do Corinthians na competição?
F: Boca e River não estão, então acho que os clubes brasileiros, Flamengo, São Paulo, Cruzeiro e Inter, que são as grandes forças nacionais. Vamos ter de encontrar um desses times em algum momento, porque podem forçar o cruzamento, e fazer de tudo para ganharmos. O prazer é ganhar o título, não ganhar do São Paulo, por exemplo. Temos de passar bem a primeira fase,
terminar em primeiro para ter vantagens. Queria dormir e acordar na final da Libertadores recebendo o troféu.
LNET!: Pensa em Seleção Brasileira como algo distante ou realidade próxima?
F: Todo mundo pensa em ir, comigo não é diferente. Para agora, para Copa, é quase impossível. Já tem os três definidos e outros na frente. Mas sou jovem e tenho chão. Tenho de continuar trabalhando. Estando numa equipe que conquista título, está toda hora em evidência, uma hora pode chegar a minha vez.
LNET!: Projeta mais quantos anos pelo Corinthians? Ano passado o seu nome surgiu com força para sair para a Europa...
F: Desde a primeira vez que saiu esse assunto, em 2007, quando fomos rebaixados, falei que não iria sair do Corinthians. Estava no pior momento da História do clube. Esse que pode ser o melhor momento eu não ia querer estar fora. Futebol é momento, ninguém sabe o dia de amanhã, mas eu sei o que eu quero. Tenho contrato, pretendo cumpri-lo, e se o clube achar
melhor renovar...Em princípio meu pensamento é ficar aqui, disposto, trabalhando. Se me chamarem para renovar por mais cinco anos, eu aceito. Senão, vou ver o que farei.
LNET! Você, antigamente, era muito criticado por falar o que pensava, comentar sobre companheiros...Desde o segundo semestre de 2008 você tem dado menos entrevistas. Vai continuar assim?
F: A imprensa mesmo fala que o futebol está chato, mas quando o atleta fala é a primeira a bater. Em 2007, eu falava mesmo o que pensava, era um atrativo. Eu acabei mudando a postura, ano passado não foram nem dez o ano inteiro. Foi bom estar jogando bem e não ouvir coisas falsas, que não tinham nada a ver. Esse ano vai ser da mesma forma, vou mais trabalhar do que falar, e tenho certeza de que isso vai me ajudar.Fonte: Lancenet







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